Origem Verificada e STIR/SHAKEN: o que é, regras e prazos

Chamada empresarial identificada na tela do celular com nome, logotipo e selo de validação da Origem Verificada

Origem Verificada e STIR/SHAKEN: o que é, como funciona, regras da Anatel e prazos

Metade das ligações que chegam ao celular do brasileiro é spam ou golpe. Não é força de expressão. Um estudo da Hiya aponta que 51% das chamadas recebidas no país são spam (38%) ou fraude (13%). A conta que sobra para as empresas honestas é dura. Quando a sua equipe liga, o cliente olha para a tela, vê um número desconhecido e simplesmente não atende.

Essa desconfiança tem preço. É venda que não acontece, cobrança que não é feita, consulta que o paciente não confirma. E o problema quase nunca está na sua equipe. Ele acontece antes, no instante em que o telefone toca e o cliente decide se aquela chamada merece atenção.

O setor de telecomunicações encontrou uma resposta para isso, e ela já está em operação no Brasil. Chama-se Origem Verificada. Por baixo dela roda um padrão técnico internacional conhecido como STIR/SHAKEN. Este guia explica o que é, de onde veio, como funciona, o que a Anatel já exige, quais os prazos e o que muda para qualquer empresa que faz ligações ativas.

 

O que é STIR/SHAKEN, em uma frase

STIR/SHAKEN é um conjunto de protocolos que assina digitalmente a origem de uma chamada telefônica, provando que o número exibido na tela não foi falsificado. No dia a dia, significa o seguinte: o celular de quem recebe passa a confiar que a ligação vem mesmo de quem diz vir.

As siglas vêm do inglês. STIR quer dizer Secure Telephone Identity Revisited. SHAKEN quer dizer Signature-based Handling of Asserted information using toKENs. O STIR cria a assinatura criptográfica. O SHAKEN define como essa assinatura viaja pela rede e é validada no destino.

No Brasil, a Anatel deu a esse conjunto o nome de “Origem Verificada”. A página oficial da Anatel sobre autenticação e identificação de chamadas é a fonte primária do tema e serve como referência para qualquer aprofundamento.

 

De onde veio a tecnologia

O STIR/SHAKEN nasceu nos Estados Unidos, empurrado por uma praga de robocalls que tomou conta do país. Em dezembro de 2019, o Congresso americano aprovou o TRACED Act, que deu à FCC, a reguladora de telecom de lá, poder para exigir a autenticação das chamadas. A FCC fixou o prazo. Todos os provedores de voz precisavam implementar o padrão até 30 de junho de 2021.

O Canadá veio logo atrás. A CRTC, reguladora canadense, tornou a tecnologia obrigatória a partir de 30 de novembro de 2021. França e outros mercados também adotaram o mesmo caminho.

O Brasil entra nessa história como um dos primeiros grandes mercados fora do eixo Estados Unidos e Canadá a rodar o padrão em escala nacional. E aqui a implementação ganhou um desenho próprio, mais centralizado.

 

Como a Origem Verificada funciona no Brasil

Quem administra a operação brasileira é a ABR Telecom, a mesma entidade por trás da portabilidade numérica, agora no papel de AIA (Autoridade de Identificação e Autenticação). A tecnologia é fornecida pela Cleartech, parceira histórica da ABR.

O mecanismo é direto. Quando a chamada sai, a operadora de origem insere uma assinatura digital no cabeçalho da ligação, atestando que aquele número pertence mesmo àquela empresa. Quando a chamada chega, a operadora de destino confere essa assinatura. Bateu, a ligação é entregue com um selo de validação. Foi adulterada no caminho, a chamada pode ser marcada como suspeita ou bloqueada.

Essa validação tem graus, chamados de atestação. O nível A, atestação completa, é o mais forte. A operadora conhece o cliente e confirma que ele tem o direito de usar aquele número. É o nível que gera o selo cheio na tela e o que interessa para call centers e operações de cobrança. Existem ainda os níveis B e C, com confiança menor.

Os números mostram que isso saiu do papel rápido. Em 2025, cerca de 35 bilhões de chamadas foram autenticadas no país. Em agosto de 2026, a Anatel registrou volume próximo de 6 bilhões de ligações por mês, o equivalente a algo perto de 30% de todo o tráfego telefônico nacional. Mais de 320 operadoras de telefonia fixa já aderiram. Para quem acompanha as tendências da telefonia fixa no Brasil, essa é a mudança estrutural mais relevante dos últimos anos.

 

Autenticar e identificar não são a mesma coisa

Aqui mora a confusão mais comum do tema. Entender essa distinção separa quem domina o assunto de quem só ouviu falar.

Autenticação é o processo técnico que válida a origem da chamada. É a assinatura digital, invisível para o cliente. Ela responde a uma pergunta: esse número é mesmo de quem diz ser?

Identificação é a camada visual. É o que aparece na tela do aparelho: o nome da empresa, o logotipo e, quando faz sentido, o motivo da ligação. A tecnologia por trás disso se chama RCD (Rich Call Data). Ela responde a outra pergunta: quem está me ligando, e por quê?

A diferença pesa no bolso. A autenticação está se tornando obrigatória por regulação. A identificação visual é um serviço contratado à parte pela empresa que faz as ligações. Autenticar protege sua marca contra fraude. Colocar seu nome e seu logo na tela do cliente é o que de fato aumenta o atendimento. As duas juntas formam o pacote completo, e é a combinação que gera resultado.

Comparação antes e depois: chamada de número desconhecido versus chamada identificada com Origem Verificada
Comparação antes e depois: chamada de número desconhecido versus chamada identificada com Origem Verificada

 

O que a Anatel exige, e quais são os prazos

Este é o ponto que traz urgência de verdade. A regulamentação já está valendo, em fases.

A base é a Resolução Anatel nº 777/2025, que aprovou o novo Regulamento Geral dos Serviços de Telecomunicações. O texto determina que as prestadoras de interesse coletivo passem a autenticar todas as chamadas originadas em suas redes. O prazo pleno para essa obrigação geral é de três anos, com data-base em torno de outubro de 2028.

A Anatel não esperou 2028 para começar pelos maiores. Por meio do Acórdão nº 201/2025 e do Despacho Decisório nº 787/2025, a agência tornou a autenticação obrigatória para os chamados grandes chamadores, empresas que originam mais de 500 mil chamadas por mês. O início efetivo foi em 15 de novembro de 2025. A medida atinge cerca de 350 empresas de alto volume, principalmente de telemarketing e cobrança, e cobre aproximadamente metade das chamadas do país.

Resumo dos prazos:

  • Grandes chamadores (mais de 500 mil chamadas por mês): obrigados desde 15 de novembro de 2025.
  • Demais prestadoras de interesse coletivo: obrigatoriedade geral com data-base em torno de outubro de 2028.
  • Base legal: Resolução Anatel nº 777/2025, Acórdão nº 201/2025 e Despacho Decisório nº 787/2025.

O recado para o mercado é claro. Empresa com alto volume de ligação ativa já tem a obrigação valendo. As demais têm o relógio de 2028 correndo, e antecipar essa adequação vira vantagem em vez de correria de última hora.

Vale um dado de contexto que a própria Anatel divulgou. Entre junho de 2022 e julho de 2025, cerca de 220 bilhões de ligações abusivas deixaram de ser geradas graças ao conjunto de medidas contra chamadas indesejadas. A autenticação é a peça mais recente, e a mais robusta, desse esforço. Não à toa, a Sigatel já vinha antecipando esse movimento quando o CEO Elder Fassini falou sobre como a linha fixa empresarial se reinventou diante das novas exigências regulatórias.

 

Como a identificação aparece no celular do cliente

Autenticar sem que o aparelho de quem recebe saiba mostrar não adianta muito. E aqui existem requisitos técnicos que precisam ser explicados ao cliente, para não gerar expectativa frustrada. Para exibir a identificação, o celular precisa estar em rede 4G ou 5G, com VoLTE ativado e sistema operacional atualizado. A boa notícia é que a Anatel estimou que cerca de 75% dos aparelhos em uso no Brasil já eram compatíveis no primeiro semestre de 2025.

 O que aparece na tela muda conforme o aparelho:

  • Samsung com Android 14 ou superior: nome, número, selo de validação, logotipo e motivo da chamada.
  • iPhone com iOS 18.2 ou superior: nome, número, selo e logo (selo visível no histórico de chamadas).
  • Outros aparelhos Android mais antigos: nome, número e selo.
  • Aparelhos que só operam em 2G ou 3G: apenas o número, sem identificação.

Se esses termos soam como um mar de siglas, vale a leitura do nosso guia de telefonia empresarial, que traduz o vocabulário técnico para linguagem de negócio.

O que aparece na tela por tipo de aparelho na Origem Verificada, de Samsung e iPhone a aparelhos 2G e 3G
O que aparece na tela por tipo de aparelho na Origem Verificada, de Samsung e iPhone a aparelhos 2G e 3G

 

O resultado: por que isso vira dinheiro

Tecnologia sem retorno é despesa. Então vamos aos números que justificam o investimento.

O caso brasileiro mais citado é o da Brasilseg. Segundo relato da própria empresa em evento do setor, o volume de chamadas atendidas pelos clientes triplicou depois que passou a usar a identificação de chamadas. Três vezes mais pessoas atendendo a mesma operação, com a mesma equipe.

A Associação Brasileira de Telesserviços reforça a tendência. Em novembro de 2025, a entidade relatou aumento de 50% a 70% no atendimento das empresas que adotaram a tecnologia. No exterior, os casos de branded calling mostram ganhos que vão de 25% a mais de 130%, dependendo do setor. Os percentuais variam, a direção nunca muda. Chamada identificada é chamada atendida.

Resumindo o ganho de negócio:

  • Mais atendimento: casos brasileiros mostram de 50% a 70% mais chamadas atendidas, e o triplo no caso Brasilseg.
  • Menos bloqueio: chamada autenticada é barrada com menos frequência por Android, iOS e apps antispam.
  • Proteção de marca: seu número fica muito mais difícil de ser clonado por golpistas.
  • Conformidade antecipada: adequação antes do prazo de 2028, e já atende à obrigação dos grandes chamadores.
  • Experiência premium: nome, logo e motivo na tela, parecido com a validação visual dos aplicativos de banco.

E vale lembrar que a fraude está cada vez mais sofisticada, a ponto de já existir golpe de clonagem de voz com inteligência artificial. Autenticar a origem da chamada é uma camada a mais de defesa da sua reputação nesse cenário.

 

Uma ressalva honesta

A autenticação de chamadas reduz de forma expressiva o spoofing e aumenta o atendimento. Ela não acaba com todo tipo de golpe. Fraudadores se adaptam, e pesquisas nos Estados Unidos já registraram tentativas de burlar o sistema. A própria Anatel trata a tecnologia como uma camada adicional de segurança, e não como solução mágica.

Isso não tira o valor da coisa. Apenas ajusta a promessa. O que a Origem Verificada entrega é mais atendimento e mais proteção de marca. Empresa séria não vende o fim das fraudes, porque isso ninguém pode garantir. Prometer exatamente o que a tecnologia faz é o que constrói confiança de verdade.

 

O que isso significa para a sua empresa

Se a sua empresa liga para clientes, para cobrar, confirmar agenda, vender, atender ou fazer pós-venda, autenticação e identificação de chamadas deixaram de ser assunto de operadora e viraram assunto de negócio.

Para quem tem alto volume, existe uma obrigação regulatória já em vigor. Para todo o resto, existe um prazo se aproximando e a chance de sair na frente. E para qualquer empresa que depende de ser atendida no telefone, existe um ganho de resultado que já foi comprovado no mercado brasileiro, com números públicos.

A Sigatel é operadora de telefonia fixa (STFC) licenciada pela Anatel e está dentro desse movimento desde o início, preparando a oferta de Origem Verificada para sua base de clientes corporativos. Nos próximos conteúdos, vamos detalhar o passo a passo de como autenticar e identificar as chamadas da sua empresa. Quem quiser antecipar essa conversa e garantir prioridade pode falar agora com um consultor Sigatel.

 

Perguntas frequentes sobre Origem Verificada e STIR/SHAKEN

O que é Origem Verificada?

Origem Verificada é o nome usado no Brasil para a autenticação e identificação de chamadas telefônicas baseada no padrão STIR/SHAKEN. Ela valida digitalmente a origem da ligação e permite, em aparelhos compatíveis, exibir o nome e o logo da empresa que está ligando. A operação é administrada pela ABR Telecom, sob supervisão da Anatel.

O que significa STIR/SHAKEN?

STIR significa Secure Telephone Identity Revisited. SHAKEN significa Signature-based Handling of Asserted information using toKENs. Juntos, são os protocolos técnicos que assinam e verificam a origem das chamadas para combater a falsificação de número, conhecida como spoofing.

A autenticação de chamadas é obrigatória no Brasil?

Sim, em fases. Desde 15 de novembro de 2025, empresas que originam mais de 500 mil chamadas por mês já são obrigadas a autenticar. Para as demais prestadoras de interesse coletivo, a obrigatoriedade geral tem prazo com data-base em torno de outubro de 2028, conforme a Resolução Anatel nº 777/2025.

Qual a diferença entre autenticar e identificar uma chamada?

Autenticar é validar a origem por assinatura digital, um processo técnico invisível ao cliente e que está se tornando obrigatório. Identificar é exibir na tela o nome, o logo e o motivo da chamada, um serviço contratado à parte pela empresa e que é o que mais aumenta a taxa de atendimento.

Quais celulares mostram a identificação da chamada?

Aparelhos em rede 4G ou 5G, com VoLTE ativado e sistema operacional atualizado. Samsung com Android 14 ou superior e iPhone com iOS 18.2 ou superior exibem mais informações, incluindo o logo. A Anatel estimou que cerca de 75% dos aparelhos em uso no país já eram compatíveis em 2025.

A Origem Verificada acaba com os golpes por telefone?

Não. Ela reduz bastante a falsificação de número e aumenta o atendimento das chamadas legítimas, mas funciona como uma camada adicional de segurança. Golpistas continuam se adaptando, então nenhuma empresa séria deve prometer o fim total das fraudes.

Como minha empresa contrata a Origem Verificada?

A contratação é feita por meio de uma operadora habilitada, que autentica as chamadas e pode habilitar a identificação visual da sua marca. Fale com o consultor Sigatel e antecipe sua contratação, entre em contato para entender o caminho para a sua operação.

 

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