Para 98% do Brasil, o fim do interurbano deixou de ser promessa e virou realidade. As mudanças já aconteceram — mas os ajustes internos que muitas empresas precisam fazer ainda não.
Durante décadas, ligar de uma cidade para outra — mesmo dentro do mesmo estado — custava mais do que ligar para o vizinho de mesa. O interurbano era uma das categorias mais lucrativas da telefonia brasileira — e também uma das mais improdutivas para os negócios. Empresas com filiais em cidades de DDDs diferentes pagavam mensalmente por chamadas entre seus próprios departamentos.
Em janeiro de 2026, a Anatel começou a encerrar esse modelo. Em 9 etapas, o Brasil passou de 4.118 áreas locais para apenas 67 — uma por DDD. Chamadas entre municípios do mesmo DDD deixaram de ser interurbano e passaram a ser chamadas locais, sem custo adicional.
O Paraná e Santa Catarina — onde a Sigatel tem forte atuação — completaram a adequação em abril de 2026. O único estado ainda em transição é São Paulo, com conclusão prevista para 21 de junho de 2026. Para todo o restante do país, a mudança já é fato.
O fim do interurbano já chegou. A questão agora não é se sua empresa vai ser afetada — é se os ajustes internos já foram feitos.
O que exatamente mudou — e o que não mudou
Antes de mapear os ajustes necessários, é importante ter clareza sobre o que a unificação dos DDDs efetivamente alterou — e o que permanece igual.
O que mudou
- Chamadas dentro do mesmo DDD: ligações entre municípios com o mesmo código de área passaram a ser tarifadas como chamadas locais — sem a categoria de interurbano (VC2). Um exemplo: uma ligação de Ponta Grossa (DDD 42) para Guarapuava (DDD 42) agora é chamada local. Já uma ligação de Ponta Grossa (DDD 42) para Curitiba (DDD 41) continua sendo interurbano — porque são DDDs distintos, mesmo que ambas sejam cidades do Paraná.
- Discagem simplificada: para chamadas entre fixos dentro do mesmo DDD, não é mais necessário informar o código da operadora. Basta discar o número de destino.
- Redução de custos em contratos por chamada: empresas que pagavam por VC2 em chamadas entre cidades do mesmo DDD podem ver redução na fatura, dependendo do modelo de contrato.
O que não mudou
- Chamadas entre DDDs diferentes: ligar de um DDD para outro estado continua exigindo o código da operadora + DDD + número. A unificação eliminou o interurbano dentro do DDD — não entre DDDs distintos.
- Os números de telefone: nenhum número mudou. A unificação é de tarifação e de áreas locais — não de numeração.
- Telefonia móvel: a mudança afeta especificamente a telefonia fixa (STFC). A telefonia celular já operava com áreas padronizadas por DDD — não houve alteração para celulares.
Resumo prático: Ligação fixo para fixo dentro do mesmo DDD = chamada local, sem código de operadora. Ligação entre DDDs diferentes = mesmo processo de antes: código da operadora + DDD + número.
O cronograma completo — onde cada região está
| Etapa | Estados / DDDs | Data | Status |
| 1ª etapa | Bahia e Sergipe (DDDs 71, 73, 74, 75, 77, 79) | 11/01/2026 | ✓ Concluída |
| 2ª etapa | Amazonas, Amapá, Maranhão, Pará, Roraima (DDDs 91–99) | 01/02/2026 | ✓ Concluída |
| 3ª etapa | Paraná e Santa Catarina (DDDs 41–49) | Até 18/04/2026 | ✓ Concluída |
| 4ª–8ª etapas | Demais estados (exceto SP) | Fev–Mai/2026 | ✓ Concluída |
| 9ª etapa | São Paulo (DDDs 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19) | 21/06/2026 | ⏳ Pendente |
O que sua empresa ainda precisa ajustar
A mudança regulatória aconteceu. Mas vários ajustes internos que ela exige ainda ficam por conta de cada empresa. Estes são os pontos que mais gestores deixaram para depois — e que continuam pendentes:
1. Sistemas com lógica de DDD para cálculo de tarifa
Este é o impacto menos discutido e um dos mais relevantes. Muitas empresas têm ERPs, CRMs e plataformas de cobrança que usam o DDD do número para calcular o custo da chamada, segmentar clientes por região ou aplicar regras automáticas. Com a unificação dos DDDs, a lógica “se o DDD é diferente, cobrar VC2” deixou de ser válida dentro do mesmo DDD — e sistemas que ainda operam com essa regra podem estar gerando cobranças incorretas ou relatórios imprecisos.
Verificar agora: Se o seu sistema usa DDD para qualquer cálculo financeiro ou segmentação automática, revise essa lógica com o fornecedor do sistema. O erro pode já estar acontecendo em silêncio.
2. PABX físico com rotas configuradas por DDD
PABX físicos antigos frequentemente têm planos de discagem com regras de roteamento por DDD — direcionando chamadas para troncos específicos conforme o destino. Após a unificação, essas regras podem estar ultrapassadas, gerando roteamentos incorretos ou custos mais altos do que o necessário. Um técnico precisa revisar o plano de discagem para adequar ao novo modelo.
Para quem opera com Cloud PABX da Sigatel, esse ajuste foi feito automaticamente pela infraestrutura da operadora — sem necessidade de intervenção do cliente.
3. Contratos com cláusulas de VC2/VC3
Contratos de telefonia com cobrança por categoria de chamada (VC1, VC2, VC3) precisam ser revisados. Com a extinção do VC2 dentro do mesmo DDD, contratos que ainda referenciam essa categoria podem ter cláusulas desatualizadas. Vale verificar com a operadora atual se os termos contratuais foram adequados — e se a fatura já reflete o novo modelo.
4. Treinamento da equipe sobre a nova discagem
Colaboradores que discam manualmente para outras cidades do mesmo DDD podem ainda estar usando o código da operadora + DDD desnecessariamente. Isso não causa erro na chamada — a ligação passa —, mas pode gerar confusão no relatório de chamadas e, em alguns contratos, ainda acionar a tarifação do código da operadora. Uma comunicação interna simples resolve esse ponto.
O que empresas com linha analógica precisam considerar agora
A unificação dos DDDs acontece sobre a infraestrutura existente. Para quem opera com telefonia IP, a transição foi automaticamente absorvida pela plataforma digital. Para quem ainda tem linhas analógicas de cobre, a situação é diferente — e merece atenção por dois motivos que vão além da unificação.
O primeiro é que a rede de cobre está em processo de desativação regulamentada. A unificação dos DDDs é parte de um movimento maior de modernização da infraestrutura de telecomunicações brasileira. Empresas que ainda operam com STFC analógico estão usando uma tecnologia com prazo de encerramento definido.
O segundo é que a migração para telefonia IP com Cloud PABX garante não só a adequação à nova realidade regulatória, mas também escalabilidade, mobilidade, gravação de chamadas e relatórios em tempo real — benefícios que a linha analógica nunca vai oferecer, independente da regulação.
A portabilidade numérica garante que os números existentes são mantidos na migração. A Sigatel realiza o processo com suporte técnico próprio, sem interrupção de serviço.
Perguntas frequentes sobre o fim do interurbano
O fim do interurbano acabou com a diferença de preço entre ligações locais e para outros estados?
Não completamente. A unificação dos DDDs eliminou o custo adicional para chamadas entre municípios do mesmo DDD. Chamadas entre DDDs diferentes continuam seguindo a regra anterior, com código de operadora — independentemente de serem do mesmo estado ou de estados distintos. Um exemplo: Ponta Grossa (DDD 42) e Curitiba (DDD 41) são ambas cidades do Paraná, mas têm DDDs diferentes — a chamada entre elas continua sendo interurbano. Já Guarapuava (DDD 42) e Ponta Grossa (DDD 42) agora são chamada local. A novidade é que cidades dentro do mesmo código de área, mesmo que em municípios diferentes, agora são tratadas como uma única área local.
Meu número de telefone mudou com a unificação?
Não. A unificação é de tarifação e de delimitação de áreas locais — não de numeração. Todos os números fixos permanecem inalterados.
A mudança afeta empresas com Cloud PABX?
Para clientes com Cloud PABX da Sigatel, a adequação foi realizada automaticamente na infraestrutura da operadora. Nenhuma ação foi necessária do lado do cliente. Possíveis instabilidades pontuais durante o período de adequação de rotas devem ser reportadas ao suporte técnico para resolução imediata.
Empresas de São Paulo precisam fazer alguma coisa antes de 21 de junho?
O processo de adequação para São Paulo é conduzido pela Anatel e pelas operadoras — não exige ação das empresas. O que vale para São Paulo são os mesmos ajustes internos listados acima: revisar sistemas com lógica de DDD, verificar contratos e PABX físico caso existam rotas configuradas por categoria de chamada.
Como saber se minha fatura já reflete o novo modelo de tarifação?
Verificar se ainda aparecem cobranças de VC2 para chamadas entre cidades do mesmo DDD após a data de adequação da sua região. Se aparecerem, entrar em contato com a operadora — pode ser erro de faturamento ou cláusula contratual que precisa ser atualizada.
Ficou com dúvida sobre como a mudança afeta a sua operação?
A Sigatel acompanha todo o processo de adequação regulatória lado a lado com os clientes. Se você identificou alguma instabilidade ou tem dúvidas sobre como a unificação dos DDDs impacta especificamente a sua infraestrutura — seja com linhas analógicas, PABX físico ou sistemas com lógica de DDD —, um especialista pode fazer esse diagnóstico com você.
Conheça as linhas telefônicas IP da Sigatel, o Cloud PABX e a portabilidade numérica empresarial — mais de 20 anos acompanhando as mudanças da telefonia brasileira ao lado dos nossos clientes.





